A Netflix lançou recentemente o documentário “Roubo Cibernético: Bilhões em Bitcoins”, dirigido por Chris Smith, que explora um dos maiores roubos digitais da história. O filme narra o furto de aproximadamente 120.000 bitcoins da plataforma Bitfinex em 2016, um montante que, na época, equivalia a cerca de 72 milhões de dólares e que, com a valorização da criptomoeda, atingiu impressionantes 10,8 bilhões de dólares.
O documentário destaca a figura de Heather Morgan, também conhecida como “Razzlekhan”, uma aspirante a rapper com uma presença online excêntrica, e seu marido, Ilya “Dutch” Lichtenstein, um empreendedor tecnológico. O casal foi acusado de conspirar para lavar os bitcoins roubados, levando uma vida dupla que surpreendeu tanto autoridades quanto o público.

Além de relatar os detalhes técnicos do roubo e da investigação que levou à prisão do casal em 2022, a produção mergulha na vida pessoal dos envolvidos, revelando vídeos caseiros e performances musicais de Heather que adicionam uma camada intrigante à narrativa. O filme também levanta questões sobre a segurança no mundo das criptomoedas e as vulnerabilidades das plataformas digitais.
O caso que inspirou o documentário teve início em 2016, quando a exchange de criptomoedas Bitfinex, uma das maiores do mundo na época, sofreu um ataque hacker que resultou no roubo de 120.000 bitcoins. O crime abalou o mercado de criptomoedas, levando a uma queda brusca no preço do Bitcoin logo após o incidente. O ataque explorou vulnerabilidades na plataforma, permitindo que os hackers realizassem transferências em massa para carteiras digitais sob seu controle. No entanto, como todas as transações de Bitcoin são registradas na blockchain, os fundos ficaram visíveis, mas movimentá-los sem chamar a atenção das autoridades tornou-se um grande desafio.

Nos anos seguintes, o FBI e outras agências de segurança cibernética passaram a monitorar essas carteiras, buscando identificar qualquer tentativa de conversão dos bitcoins em dinheiro tradicional. O caso tomou um rumo surpreendente em 2022, quando as autoridades conseguiram rastrear transações ligadas ao casal Heather Morgan e Ilya Lichtenstein. Lichtenstein utilizava técnicas sofisticadas para tentar mascarar a origem do dinheiro, incluindo lavagem por meio de criptomoedas menores, movimentação em diferentes plataformas e uso de identidades falsas. Apesar dessas táticas, os investigadores conseguiram acesso a arquivos armazenados na nuvem contendo chaves privadas das carteiras ligadas ao roubo, o que levou à prisão do casal.
A reviravolta no caso não apenas expôs falhas na segurança das exchanges, mas também gerou um debate sobre a regulação do mercado de criptomoedas e a dificuldade das autoridades em rastrear fundos ilícitos. Embora Heather Morgan e Ilya Lichtenstein tenham sido presos, ainda há dúvidas sobre o possível envolvimento de outros hackers e cúmplices. O caso continua sendo um dos maiores escândalos financeiros do mundo digital e serve como um alerta para os desafios da segurança no universo das criptomoedas.

“Roubo Cibernético: Bilhões em Bitcoins” está disponível na Netflix e é uma recomendação imperdível para quem se interessa por histórias reais que misturam crime, tecnologia e personagens fora do comum.
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